Diário de Viagem — Dia 2/3: A Fogueira das Vaidades

Diário de Viagem — Dia 2/3: A Fogueira das Vaidades

Diário de Viagem — Dia 2/3: A Fogueira das Vaidades

Salve, galera!
O SEU BET na voz.
Voltei com mais uma atualização direto da Ilha dos Horrores, e o clima por aqui tá… diferente.
Depois dos últimos acontecimentos, a ilha parece viva, e o que quer que esteja respirando junto com ela, não tá dormindo em serviço.

A noite caiu como um manto pesado, e a fogueira no centro do resort estalava em laranjas e verdes, como se a própria ilha respirasse pelas brasas. O clima era de festa improvisada, coco no isopor, risada fácil, mas o ar estava contido. O riso morria no meio do caminho. As pessoas se ajeitavam em volta do fogo, olhos brilhando mais de medo do que de alegria.

Foi então que ele apareceu.
Ninguém o anunciou. Surgiu do nada, com a naturalidade de quem já pertence ao lugar. Alguns dizes ter visto ele sair do meio de um pequeno redemoinho, bobagem…
Era um jovem de pele preta, uma muleta cromada refletindo a luz das chamas, boné vermelho, camiseta branca larga e uma corrente discreta no pescoço. Tinha aquele tipo de malemolência boa, a de quem sabe os atalhos, mas também quando não pegar nenhum.

— “Senta aqui na beira, irmão,” ele disse, voz calma, arrastada, com um assobio no fim das frases. “A ilha tem história que queima mais que brasa.”

E começou a falar.
Histórias que não pareciam inventadas.
Histórias que gelavam o sangue.

Falou do Apostador Sem Cabeça, que perdeu tudo tentando ganhar de volta o impossível.
Da Lelé da Cuca, que apostou na pressa e virou lenda viva — pele grossa, sorriso de jacaré e promessa de lucro certeiro.
E da Casa Clandestina, a mais perigosa de todas: uma entidade que cresce da ganância, planta sua maldição nos jogos e suga a sorte de quem se arrisca demais.

— “Dizem que só quem joga com o coração no lugar derruba a Casa,” ele disse, olhando direto pra mim. “Sem truque. Sem atalho.”

A chama inclinou pro lado dele.
O silêncio ficou pesado.
E, antes que eu pudesse reagir, o cara fez um gesto com a cabeça — um convite mudo.
Fingi me levantar pra esticar as pernas e o segui até a beira do mar.

Ali, sob a lua esverdeada, ele me mostrou um símbolo — o mesmo que já tinha visto espalhado por toda a ilha.
Um disco de madeira, redondo como uma roleta de cassino, mas envolto por uma serpente enroscada, de escamas brilhantes e olhar venenoso.
A criatura parecia viva, pronta pra atacar a qualquer sinal de sorte.

— “Este símbolo, capivara,” disse ele, com a voz baixa e firme. “É por meio dele que a Casa Clandestina espalha sua influência. Cada marca dessas é uma semente de corrupção, enraizada nos jogos, nas pessoas… na própria ilha.”

Ele passou o dedo pelo contorno da serpente, e o metal pulsou, como se reagisse ao toque.

— “Destrua este símbolo, e você quebra o feitiço. Um a um, os controlados serão libertos. Mas cuidado: a Casa sente cada vez que um deles cai.”

Olhei pra ele e perguntei:

— “Quem é você, afinal?”

Ele riu curto, o vento girando junto com a risada.

— “Sou só o tipo de gente que aparece quando o vento muda, agora me vou, você já sabe o que fazer…”

Piscou, e o cara sumiu.
Só ficou um redemoinho de folhas rodando no mesmo ritmo do fogo… E não é que tinham razão!

Voltei pro círculo, ninguém notou minha ausência.
Mas algo tinha mudado — dentro de mim e na ilha.
Naquela mesma noite eu senti um ímpeto gigantesco, eu sabia o que precisava fazer, comecei a destruir os símbolos que encontrava pelo parque. Lembram-se? Aqueles símbolos com a cobra enrolada na roleta.
Cada golpe libertava um pedaço de energia presa, e com ela, o lugar parecia respirar de novo.

Quando o sol nasceu no dia seguinte, as cores voltaram.
O parque era outro: vivo, pulsante, quase feliz.
Mas os olhos de alguns funcionários continuavam vazios, me seguindo de longe.
Eu não havia solucionado todo o problema.

O fim da tarde tinha aquele ar de ressaca do dia anterior.
O parque parecia em paz, gente rindo, luz piscando, som de forró ao fundo. Tudo aparentemente no eixo.
Mas eu já aprendi: quando o clima tá bom demais, é porque a zica tá esperando a deixa.

Foi ali, que numa mata próxima ao parque ela se manifestou.
Nada de fumaça, trovão ou raio — só chegou, mas ainda sim, sua imponência era sentida a kilometros.
A Caipora, do jeito dela: calma, serena e firme como quem não precisa se explicar.
Olhos dourados, cabelo vermelho, pele com traços de luz que se moviam como tatuagens vivas.

— “Capivara,” disse, com um tom que era quase um aviso. “Você declarou guerra à casa clandestina, e ela irá reagir fique atento e…”
— “CUIDADO CAPIVARA!”

Antes que eu entendesse direito, o vento mudou.
As luzes começaram a piscar, o céu ficou esverdeado e o chão pareceu respirar.
As pessoas ao redor, que até um segundo atrás pareciam normais, travaram, olhos vazios, sorrisos mortos.
Os colares começaram a brilhar, o símbolo da serpente pulsando como se tivesse vida.

A Caipora deu um passo pra trás.
— “Eu não posso interferir. Os assuntos dos homens não pertencem à floresta.”

E foi nessa hora que eu percebi: a guerra tinha começado pra valer.
Eles avançaram, e eu não pensei duas vezes.
Ativei a Capivoeira.
Um giro, um salto, uma cabeçada certeira — cada colar que se partia, uma faísca verde libertava alguém do transe.

Quando o último caiu, o vento parou.
A Caipora ainda estava ali, olhando pra mim, meio triste, meio orgulhosa.
— “As respostas que você busca estão nas entranhas da floresta,” disse ela. “Mas tem que correr. A Casa sequestrou um dos moradores. E se ela corromper esse coração… não há totem que dê jeito.”

Olhei em volta — o parque parecia normal de novo.
Mas o ar vindo da floresta estava pesado.

A Caipora num salto retornou à floresta.
Fiquei ali, com o vento quente no rosto e uma certeza gelada na cabeça:
a Casa tinha reagido. E agora era pessoal, a guerra começou!

 


📜 Continua amanhã.

O jogo está em movimento.
E o mistério, está perto de acabar, não perca nenhum take!

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